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A Gazeta do Repórter

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Como superei a Covid sem apoio familiar?

06.02.21 | Rogério Rosa

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Quando não se tem uma família que nos mereça, já estamos acostumados, a não contar. Não deixa de ser triste, mas acabamos com o tempo por nos conformar. Não adianta criticar ou nos revoltarmos, porque isso não trás o amor deles e nem sabem o que isso é. Habituei-me a ser eu, a lutar e a ter muitas portas fechadas e algumas janelas abertas.  O Importante, é continuar o que sempre fiz e se faço. Não ter o apoio de família, não deixa de ser triste e não deixa de ter marcas na personalidade em quanto pessoa. Isso muitas vezes reflecte na vida pessoal e profissional. Nunca ter tido quem nos desse uma palavra de apreço, que estivesse feliz por nós, que quisesse saber sobre os nossos sonhos, desejos, aspirações, sem olhar para nós com indiferença, sobre o que se vai fazendo, quer como escuteiro, quer como ator. Como ator, com que me estreei no colégio aos 13 anos e públicamente na Academia de Santo Amaro, aos 19, nem um familiar nas estreias!

O tempo foi passando e continuando a fazer o meu caminho e sem ter ou sequer conseguir, o interesse da familia. Entretanto, chega a peste de nome Covid. Este vírus, vem transformar o mundo e virá-lo de pernas para o ar. Está a causar uma desgraça mundial, milhares de mortos e de infetados. Uma onda de desempregado á escala mundial.

O comportamento das pessoas, sobretudo jovens, tem sido de uma grande irresponsabilidade. Festas clandestinas, muita gente nas ruas, sem máscaras e uma despreocupação, que impressiona. Já ninguém parece ligar ao fique em casa. Depois, vem o slogan infantilizado "Vai ficar tudo bem" ou "Vamos ficar bem". Obviamente, que não vamos ficar nada bem e não vai ficar nada bem, com tantos infetados diários e cada vez mais mortes. Muitos ignorantes, pensam que nada lhes acontece, até lhes bater á porta. 

 Eu mesmo, apesar de ter todo o cuidado, nunca achei que só acontecia aos outros. No entanto sem esperar, apanhei Covid. Com a doença Covid, o que mais podia eu fazer se não ficar em casa. Para a minha saúde mental, escrevi no meu blog e frequentei cursos online. De salientar, que estava a ensaiar uma peça no Auditório Carlos Paredes com encenação de Benjamim Falcão. Parámos e nunca mais voltámos a ensaiar mais nada. Agora neste 2º confinamento e Estado de Emergência, cuja 3a vaga veio carregar mais ainda a desgraça.

Sem apoio familiar e apenas, uma pessoa da familia teve algum cuidado em querer saber se tinha sintomas ou não e, se disponibilizou para o caso de precisar de compras, porque na minha casa, além de mim, outra pessoa tinha também convid. Superou-se com a tv, livros, a escrita e com o estar atento a sinais, que pudessem aparecer. Vigiados pela Médica de Família,  Dra. Rita Sebastião e do Dr. Elmano, a quem presto as mais sinceras homenagens. Gente da Linha da Frente, capaz de irem além das suas capacidades físicas e mentais e do pouco respeito. que muitos ainda têm pelos profissionais de saúde em não ficarem em casa.

Hoje, é uma angústia ver nas nossas televisões, os hospitais cheios e uma fila interminável de ambulâncias á porta dos hospitais e como se não bastasse, os agentes funerários não têm tido mãos a medir. Caixões lacrados, sem poderem ser abertos e sem as suas famílias se poderem  despedir e fazerem o seu luto.

A família, é o pilar de qualquer pessoa e de fato parece que, as coisas correm melhor e há um conforto. Triste são as pessoas, que morrem sozinhas ou que por vezes, são levadas ás urgências para os Cuidados Intensivos e muitas vezes, é o único momento de despedida. A mim, depois de relatos de Médicos sobre o horror que se passa dentro dos hospitais, como é possível, que jovens e menos jovens continuem a fazerem de conta, que isto não é perigoso, que é tudo tretas, politica e num desrespeito pelos profissionais de saúde, que ainda exaustos, não viram costas, pelo contrário, estão lá para salvar vidas.

Toda a gente está a sofrer pelas perdas, pelo desemprego, por estarem fechadas em casa, mas se isso for o resultado de termos a nossa vida de volta, soframos então um pouco mais, mas nunca se perca a Fé, a esperança e desejar que dias melhores hão-de vir.

A minha quarentena continua feita de escrita, de livros de formações online e de televisão, para descansar a vista que é pouca.

#fiquememcasa

 

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