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A Gazeta do Repórter

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Cristina Ferreira e a Dança dos Canais

19.07.20 | Rogério Rosa

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"17 anos depois de entrar pela primeira vez. Tinha 26 anos. Seria repórter da estação. Entrei com a timidez que se atenuou com o tempo, a desejar que aquela fosse a minha vida dali para a frente. Tinha tirado ciências da comunicação e ali era o meu lugar. 15 anos de crescimento, memórias , amigos, daquilo que parecia ser para sempre. Mas o meu para sempre é muito estranho. É que nele está incluído o sair para continuar a crescer. E sair sabendo que aquela é a casa mãe mas que é preciso. Tive a sorte de nesta saída de 2 anos encontrar um lugar especial onde os sonhos tinham espaço. Encontrei pessoas extraordinários, uma casa que será sempre minha, uma equipa agarrada ao coração para sempre. Mas um dia alguém me disse que a casa mãe precisava de mim. Olhei e percebi que fazia lá falta. Era preciso reconstruir paredes que tinham caído. Ninguém gosta de ver a casa da mãe a cair. E a filha volta para trabalhar. Encontra muitos dos amigos de braços abertos, novos inquilinos e sorrisos no rosto. Aí, as saudades do lugar do sonho ( onde deixo uma das memórias mais bonitas da minha vida), dão lugar ao entusiasmo de perceber que está tudo certo. De verdade. ♥️

Conheci-a há 11 anos, quando me entrevistou no programa "Você na Tv". Era uma rubrica que ela tinha no programa chamado "Corredor da Fama", onde os convidados iam revelar os seus sonhos. Pessoa simpática, simples e humilde. Nada que se misture com outras coisas.

coisas.

Vários anos depois a Cristina sai da Tvi para a Sic. Tem um programa, que é a cara dela e agora, regressa á Tvi de novo. Não tenho inveja, mas sinto que luto tanto e por vezes me humilho tanto e quase nada consigo. Claro que a idade também conta.

O meu receio é que, ser ambicioso é muito bom, mas ser demasiado, fará mal. Porque quem muito quer subir, poderá ser bem maior a queda! Por vezes o dinheiro não vale tudo. Morremos e fica cá tudo!

Tenho visto mesmo entre atores que são dispensados, outros que têm sempre trabalho, e vejo outros, que nunca ou quase nunca são lembrados.

É bom que as pessoas tenham sonhos, cresçam, mas é estranho andarem sempre a mudar de canal, de empregos em busca de quem dá mais. Sei que há pessoas que não precisariam de mais. Têm a sua vida mais que estabilizada, um conforto financeiro mais do que muitos, mas mesmo assim, insatisfeitos, porque não chega ainda!

O Mundo está diferente de há uns 30 anos. Era tão fácil mudar de emprego. Era mais fácil ir subindo e mais fácil ainda conhecer pessoas nos lugares certas, nas horas certas. Certo é, que havia cunhas, como ainda há e amigos a quem pedir, que também os há. Lutava-se e conseguia-se por pouco mérito, mas com muita cunha! Hoje, tudo é diferente. Luta-se, esforça-se e pouco reconhecimento temos.