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A Gazeta do Repórter

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Deficientes no Reino dos Porquês

19.01.22 | Rogério Rosa

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          Este artigo visa reflectirmos sobre as capacidades dos deficientes. Muita gente questiona, se os deficientes são ou não capazes de fazer o mesmo, que os que não têm quaiquer limitações? 

          A sociedade sempre teve para com os deficientes, um olhar de pena e de compaixão. Achando sempre que não podiam fazer mais do que pedirem ou o muito, serem telefonistas. Longe vão os tempos em que isso seria visto assim.

https://forms.gle/T2oF5iWE4Q4daGF19

          No tempo da Associação de Cegos Luís Braille, tinha uma sala só para os pedintes. Uma sala que ficava num sub terraço, onde os pedintes, que andavam no metro, ali, faziam as contas diárias. Ali, contavam o dinheiro que iam fazendo ao longo do dia. Depois, tiravam apenas para o almoço e ou jantar, que iam comer ao refeitório da Liga de Cegos João de Deus. Neste contexto de trabalho, eles revezavam-se nas carruagens, não podendo entrar ao mesmo tempo na mesma, mas sim noutro metro. Depois que essas instituições deram lugar á unificação, passando-se a chamar Acapo, Associação de Cegos e Ambliopes de Portugal, que não salvaguadou os pedintes, nem sequer se interessaram, como é que eles iriam organizar as suas vidas do ponto de vista independente em dar-lhes condições para terem um espaço, onde contar os trocos, onde tomarem banho e comerem. Sendo que, não só os pedintes, mas outros associados que viviam em quartos, dependiam da Acapo para fazerem a vida normal. No entanto e ainda antes da Acapo, uma meia duzia de jovens conseguiram entrar na faculdade. Entraram para Línguas e Literaturas Modernas, Direito, Filosofia e Sociologia. Mas, a questão que se impõem é, será que estes futuros Professores, Advogados ou Sociólogos, serão bem inseridos na sociedade profissional? Em cima há um formulário,onde podem dar a vossa opinião.

          Hoje, já se vêm muito poucos pedintes no mestro e os de então, ou morreram ou acabaram por se isolarem na terra de origem.Foi o pior que podia ter acontecido. Falta de sensibilidade para com quem não tinha casa, nem sitio para tomarem banho ou simplesmente usarem orefeitório. Muitos viviam em quartos alugados sem grandes condições e nem de poderem permanecer neles, daí frequentarem a Associação Luís Braille e Liga de Cegos João de Deus, mais tarde Acapo. Esta instituição veio prejudicar todos quantos dela necessitavam, depois de fecharem as delegações de Lisboa.

          Eu frequentei muitas formações profissionais e nelas vi um enriquecimento pessoal e curricular, mostrando ser capaz de frequentar, aprendr. Sempre me disseram que o saber não ocupa lugar e é o que continuo a fazer. Frequento mais um curso e desta feita de Técnico AuOra, tendo em conta as minhas limitações e sabendo que não será provável trabalhar em farmácias comunitárias com atendimento ao público, a questão é, afinal porque diabo uma pessoa que vê mal, se inscreveu num curso que é imprescindível ter uma visão normal? Eu poderei responder, que o saber não ocupa lugar, mas acho que haverá concerteza algo mais a fazer do que, estar no atendimento ao balcao. Mas, há outras situações como cegos serem Advogados e Professores. Penso que o importante é descomplexar e desmistificar a ideia de que os deficientes podem e devem frequentar cursos de que gostem e queiram depois desempenhar profissionalmente, obviamente que há cursos vedados a cegos tais como Medicina, Engenharias, Arquitetura, Desenhadores entre outros mais específicos, que exigem visão. No entanto, há uma Médica cega, mas porque cegou já com o curso de medicina concluído, bem como estágio.

          Os deficientes não têm de provar a ninguém a não ser a eles mesmos a sua capacidade e muito menos, que tenham pena de si próprios. Devem isso sim, fazerem o que gostam e tenham capacidade para o fazerem e não pensarem que por terem limitações, não possam fazer nada e se acomodem á estagnação. Dou sempre o meu exemplo pessoal. Quis ser bombeiro e fui. Quis ser ator de tv e cinema e fui. Pensei se não seria possível integrar uma Marcha Popular e desfilar no pavilhão e Avenida da Liberdade, desafiei-me a mim mesmo e fui e consegui. Logo, todos conseguem. Podem pesquisar no google em Ator Rogério Rosa e vejam o que consegui.

          A minha mensagem que deixo é que façam o que gostem, mostrem o que fizeram e tirem os cursos ainda que saibam que não será provável o seu desempanho. O saber não ocupa lugar e ninguém será inutil por isso!

#atorrogeriorosa

#deficientesvisuais

          

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