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A Gazeta do Repórter

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Faleceu a Atriz Joselita Alvarenga - Avó de Joana Solnado - A minha homenagem!

30.03.20 | Rogério Rosa

 

   JOSELITA ALVARENGA

    BIOGRAFIAS
Joselita Alvarenga, atriz, produtora, professora e diretora de teatro, nasceu em Minas Gerais, na cidade de Cambuquira em 04 de dezembro de 1934. Iniciou a carreira no cinema, atuando em “Dorinha no Soçaite” em 1957. Na tela grande esteve em “O Grande Momento”, “A Difícil Viagem” e “Alô?”.
Também começou na tv em 1957, no “Grande Teatro Tupi”. Só viria a fazer novelas em 79, quando participou de “Cara a cara” na Bandeirantes. Fez na Globo a minissérie “Avenida Paulista”, depois na Band a novela “Campeão”. Também se destacou nos primeiros anos do SBT, atuando nas novelas “O Anjo Maldito” e “Jogo do Amor”.
No teatro Joselita atuou em “Jesus Homem” de Plínio Marcos entre outras e dirigiu várias peças, com destaque para “O Beijo da Mulher Aranha” e “Feche os Olhos e Entre na História”, peça infantil escrita por sua filha e encenada pela atriz Suzy Camacho.
Joselita Alvarenga ministra cursos de teatro tanto no Brasil como em Portugal.
A atriz foi casada por 12 anos com o humorista português Raul Solnado, com quem teve dois filhos, Zé Renato e Alexandra Solnado, que trabalha como autora.

          Conheci a Atriz Joselita Alvarenga de quem me tornei amigo, bem como de seu filho Renato Solnado. Conheci-os na Sociedade Guilherme Cossoul. Era uma 6a.Feira, tinha falecido o grande Raúl Solnado. Eu que já por lá passeava e até estava a querer fazer uma formação de atores e acabei por fazer com o Thiago Justino, ator brasileiro e ex-genro. Encontreia-a bastante combalida. Tinha estado á conversa com ela ainda quando estava na formação, mas sem grande proximidade. Por vezes, a Joana Solnado levava o irmão mais novo para ver o pai.

          Como disse, frequentei várias vezes a Sociedade Guilherme Cossoul e já tinha estado inclusive no velório do ator Pedro Alpiarça, que se realizou ali mesmo, onde o caixão esteve em camara ardente no palco. Por vezes ser ator quase desconhecido tinha as suas vantagens, não só não era incomodado, como me dava um enorme prazer em observar muitos dos que via na tv. A Joselita andava por ali, bem como o Renato ou o João Didlet. 

          A Joselita era uma pessoa simples sem vedetismos, humana e acima de tudo gostava muito de ajudar os outros na construção das personagens. Não importaba se eram seus alunos, se atores de fora, que solicitavam a sua ajuda. Andava devagar e de escuro porque as circunstancias assim o ecigiam, tinha falecido o seu grande amor. Eu estava sentado á mesa e sozinho. Lia um panfleto dos espectaculos e cursos. Pedi um cafe e fui para o meu lugar. Pouco depois, acabou um ensaio, que estava a decorrer no salão e veio ao bar. olhou-me sorriu e disse-lhe ola, e ela sentou-se na minha mesa e começámos a falar. Falámos de mim, do meu objectivo, de ser ator e com várias dúvidas de como construir um personagem e uma curiosidade, disse que não percebia como falavam rapido nas novelas. Olhou para mim, e disse, "Nós também estamos a falar e não nos enganamos, assim são eles". "É preciso trabalharem o texto, que vão fazer, deixarem as emoções fluirem e tudo acontece", concluiu. A conversa havia de descambar para o falecimento do Raúl Solnado. Falou dele com tanto amor e carinho e os seus olhos embargados de água, enquanto as suas mãos agarravam as minhas! Fiquei em silêncio e ela continuou. Depois, ofereceu-se para me ajudar em tudo o que eu precisasse.

          Partiu no dia em que poderia ser de festa, se não fosse o covid-19 trazer tanta desgraça, tanta confusão, tanta gente em casa, seria um dia de espetáculos, porque tratava-se precisamente o Dia Mundial do Teatro e foi nesse dia que Joselita partiu.

          Deixo aqui a minha sentida homenagem. Tive poucos momentos de felicidade, quando nos cruzávamos na Guilherme e na confidência que me fez quando o Raúl faleceu e se permitiu emocionar-se perante um ilustre desconhecido, que era eu e que me via como ator igual aos outros, porque para ela os atores eram todos iguais.

          Obrigado Joselita, por me ter deixado ser seu amigo! Descanse em paz!

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