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A Gazeta do Repórter

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Marchas Populares para a Inclusão e para o Preconceito!

23.05.22 | Rogério Rosa

Estávamos em 1998. Eu tinha estado um ano antes, a assistir pela janela do salão da Voz do Operário aos ensaios da Marcha de S. Vicente de Fora. Eu participava numa peça de teatro chamado "Histórias de Canções nº 1" de Maria Luzia Esteves. Depois da minha atuação, fui para a janela observar. Ficava a pensar como seria se eu estivesse ali! Os ensaiadores, eram o José Luís Almeida e sua esposa Luísa Rafael. 

Quis então o destino que no ano seguinte estivesse ali a tentar aprender as músicas e as letras, bem como as marcações. Só que a ensaiadora já não era a Luísa Rafael, que tinha falecido, num grave acidente em Agosto no ano anterior. No seu lugar, era a Mónica, a nora. Fui para o recinto e sem dizer que via mal, segui os passos dos outros. até que um deles começou a cometer erros nas marcações, obrigando-me a errar também. No recinto dos ensaios, estavam para além dos ensaiadores, António Barata e Augusto Barata da Organização da Marcha da Academia Leais Amigos. Eu, tinha de começar a andar na Academia, para ser visto e me dar a conhecer. Eu residia na Freguesia, o que era mais fácil a integração. Conheci pessoas, que foram o meu maior apoio, um deles, o Arnaldo, pai da Carla e do Hugo. Homem simples, comunicativo e com uma história de marchante, incrível! Foi 20 vezes pela Marcha de Alfama, que conseguiram ir ao Japão com a Marcha e depois ao longo de muitos anos pela Marcha de S. Vicente. Nunca me desapoiou, nunca me deixou de incentivar e de ir em frente. Tenho essa dívida de gratidão, mesmo já tendo falecido infelizmente!

Nas Marchas Populares desde que se iniciaram na década de 30, sempre houve rivalidades. Todas querem ganhar e se esforçam anualmente por conseguirem. Muitas vezes há guerras, pancadaria, mas na hora de solidariedade, são de um humanismo incrível. Aconteceu na Expo`98. As Marchas tinha de estar na Expo, cerca das 20h30, pois iam desfilar no recinto pelas 21h30 para a transmissão em direto na RTP. Mas, Como houve um atraso, os portões já se encontravam fechados. A Marcha de S. Vicente de Fora, estava na Rua. Pelas 21h, ainda de fora do recinto, as Marchas de Alfama, Olivais, Marvila, e Graça, ameaçaram não desfilarem, se a de S. Vicente não entrasse para dentro do recinto e como se aproximava o desfile, lá foram finalmente abrirem o portão e a Marcha, juntou-se então a todas as outras. O desfile arrancou. Penso que contextualiza bem, a solidariedade que a rivalidade não venceu.

Para mim, ir pela primeira vez numa Marcha e de terem acreditado em mim, terem me dado o benefício da dúvida, foi uma sensação de liberdade de conquista, que jamais esquecerei aquela atitude da Organização!

 

A foto da esquerda, mostra uma saída que tivemos a Felgueiras com a Marcha da Bica. Foi engraçado termos saído de Lisboa para uma zona a norte e mostrar o que tínhamos feito na Avenida da Liberdade para todo o país através da RTP e RTP- Internacional para o Mundo! Que seria a minha última participação e o mais curioso e fantástico, era neste restaurante de Felgueiras, que trabalhava aquela que viria a ser a minha mulher! Isto em 2000! Marcha que acabava de ser do Século e do Milénio!

 

Na foto de cima, era na McDonalds, junto do Marquês de Pombal, á espera de podermos desfilar na Avenida da Liberdade.

A foto da esquerda, eu e o Arnaldo, a quem me cabe apenas dizer OBRIGADO ARNALDO!

 

 

Os padrinhos João Melo, líder do grupo "Fúria do Açúcar  e a atriz Sónia Brazão - 2000

 

Marca a Marcha do Século e do Milénio!

 

 
Esta foto de cima, foi em 1999, onde me estreava então como Aguadeiro e aqui, eu e o motorista Jorge Íamos buscar os arcos para os levar para o depósito militar no Campo de Santa Clara, conhecido por Feira da Ladra!
 

Esta foto da esquerda, já foi na Avenida da Liberdade, á espera do sinal para podermos avançar, até aos Restauradores!

O que tem estado a acontecer, é uma falta de sensibilidade e de maturidade de alguns ensaiadores, que em vez de chamarem as pessoas com limitações e cara a cara, perceberem o que podem fazer em prol da Marcha e entreajudarem-se para a concretização de um sonho de muitos, que ficam á margem de o poderem fazer., não, dão conselhos desnecessários e de falarem pelas redes sociais sem os conhecerem pessoalmente. Os ensaiadores, têm de ter a capacidade de dar o benefício da dúvida, antes de marginalizar as pessoas, só porque têm limitações. Hoje, isso de não serem capazes de fazerem as coisas, de irem na Marcha ou de realizarem os seus sonhos. Já não há a questão de terem Sonhos Traídos pelas dificuldades. São de valor, o esforço, a dedicação, o provarem que são capazes. É de coragem, o quererem desafiarem-se a si próprios e mostrarem que são úteis e que fazem o mesmo que os outros. Se vêm mal para serem Marchantes, que sejam Aguadeiros, o que é preciso é que haja boa vontade e sentido de solidariedade. O que acabou por suceder comigo, foi que uma Marcha, que tinha um certo problema, tinha falta de homens para a sua Marcha. Faltavam 3 e mais tarde, 1. Aqui, se a Marcha não apresentar os 50 elementos, poderá ser prejudicada e até desclassificada. Achei que poderia salvá-la. Mas, avisei que via mal e relatei o que me aconteceu na Marcha de S. Vicente, que tinha de me guiar pelo meu par, que se encontrava a 100 metros e eu nem a 1 metro via. Como o ensaiador é novinho, não tem nem bom senso, nem maturidade para perceber que, limitação visual, não é cegueira e que as coisas não se falam por telemóvel e muito menos por redes socias. O que poderia fazer, era mandar-me a ir pessoalmente e cara a cara, ver o que vejo e até onde conseguia ver e se não conseguisse, partiria para aguadeiro e ficava a coisa resolvida. O que aconteceu foi que o dito ensaiador, aconselhou-me ir ao Oftalmologista e se via assim mal, não iria dar. 

Por isso, isto não é de facto a inclusão, nem tão pouco a melhor maneira de ter semelhante atitude. Para lembrar ainda que a Marcha dos Olivais, este ano tem na sua Marcha, um casal de surdos. É de louvar e de agradecer tamanha coragem! 

Letras e Músicas. Padrinhos Anita Guerreiro e Vasco Rafael -1998

A minha última participação da Macha de São Vicente de Fora - 2000

Padrinhos de 3 anos:

1998 - Anita Guerreiro e Vasco Rafael

1999 - Ana e João Melo

2000 - João Melo e Sónia Brazão

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