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A Gazeta do Repórter

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O saber não ocupa Lugar

13.02.22 | Rogério Rosa

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          Desde que Mundo é Mundo, se sabe que o saber não ocupa lugar. Todos nasem livres de direitos na educação e cultura. 

          Na Educação formar, dentro de salas de aula, todos os alunos, sem distinção de raças, credos, etc. Todos têm o direito ao ensino, desde o básico ao superior. Mas, vejamos que a educação não formal, pode basear-se na Formação Profissional, já que não é dado em aulas. Neste momento, os cursos de Formação Profissional sao maior parte realizados online. Não se pode falar em educação e ensino, sem referir as pessoas com necessidades especiais. Têm obviamente o mesmo diireito de saberem ler, escrever e de frequentar os cursos. No entanto, o que falta é a sensibilidade e o conhecimento de formadores, que sejam capazes de saberem lidar com estas pessoas. O facto é que me depreendi com essa enorme lacuna. Poderei falar na primeira pessoa, ou como sou atendido e o como sou olhado pelos formadores, quer em sala de aulas, quer em online.

          No longo percurso, muito tenho feito para que seja reconhecido pelo esforço e na dedicação. Acima de tudo, tenho sido o exemplo de muitos deficientes, que conseguem fazer as coisas, de se aventurarem e ao mesmo tempo, de se desafiarem a si próprios. Há no entanto cursos, que parece não serem próprios para quem tem limitação visual. Descrédito e sem dúvida desconfiança. Muitos deficientes não querem estudar, nem tentarem outras formas de realizar os seus sonhos, porque sabem que ninguém acredita nelas.

          O que me aconteceu em todas as formações, foi sempre sem grande apoio, sem grande incentivo e motivação. Nunca em escolas preparatóri e ou secundária fui escolhido para trabalhos de grupo. Nunca em 2 faculdades que frequentei, fora ajudado ou escolhido para trabalhos de grupo. Sempre fui alvo de preconceito, sempre fui marginalizado e nunca consegui que me explicassem todo esse afastamento. Ainda assim, fui conseguindo subir, fazer, provar, que era capaz. Mas, fiz cursos que outros olharam de lado com a dúvida que viesse a trabalhar em algum no final da conclusão. 

          É importante que haja quem possa acreditar ou dar o benefício da dúvida, incentivar e criar neles o otimísmo. Todos são capazes!

          Nas escolas, há falta de misturar alunos sem quaisquer problemas com alunos com ncessidades especiais. Sabe-se, que há deficientes inteligentes, que têm sonhos como tirar cursos superiores, de serem atletas de alta competição, que participam nos Jogos Paraolimpicos e que mesmo sendo pouco falados, admirados, são os que mais medalhas trazem para Portugal. Não se consegue entender que em pleno século XXI, haja o estigma do coitado, do marginalizado e do medo de lhes dar oportunidades. 

          Eu tirei muitos cursos e formaão profissional, mas um deles deu que falar. Tirei o curso técnico auxiliar de saúde. Na turma, ninguém parecia ter interesse nisso, apenas completar o curso. Quando chegou o final, era preciso esclher o estágio. Fui colocado no Hospital Curry Cabral. Seriam 420h de estágio Hospitalar. O sitio onde ia ficar, seria no bloco operatório. Obviamente, que por causa da limitação visual e da enorme responsabilidade, o mesmo não se concluiu. Mas, o melhor estava para vir. Consegui tirar mais formações nas áreas de Multimédia, como Produção Multim+edia, onde nenhum jornalista conseguiu lidar com um aluno ambliope, nem mesmo como o apoiar. Depois, outros se seguiram, até chegar ao que estou a frequentar agora pelo Iefp. Técnico Auxiliar de Farmácia. Tendo eu saído do curso Técnico de Turismo Ambiente Rural, pois tinha feito Primiros Socorros e de Auxiliar de Saúde, não se justificava continuar neste e passei para o de Farmáia. É um curso muito concorrido, onde há muita procura, o que obrigou o iefp, a criar 2 turmas, mas assim muitos ficaram de fora. Eu, finalmente fui admitido. No decorrer do mesmo, muito se tem falado nas sessões e não aulas, embora seja o mesmo, há a necessidade de se saber as saídas profissionais e estágios nas farmácias. Ora, nem todos querem trabalhar em farmácias comunitárias, e por isso querem saber que outros sitios, um Técnico Auxiliar de Farmácia podem fazer estágios. Eu já disse que não posso em virtude das minhas limitações visuais, não podendo fazer atendimentos ao balcão. o Insólito por parte de um formador, veio de imediato, quando me surpreendeu com uma critica pejurativa e de um preconceito evidente, ao me questional, sobre se não era para trabalhar no atendimento de uma farmácia, o que estava a fazer no curso?. Isto diz muito do formador e da sua incapacidade de lidar com pessoas com limitações visuais. Isto pode-se pensar que muitos dos deficientes, acomodaram-se e não realizam os seus sonhos com receio de encontrarem gente sem sensibilidade, nem consciência do que diz. São pessoas como esta, que muitos dos deficientes ficam á mercê das instituições, que embora os apoiem, os ajudam e os incentivam, mas que dificilmente os apresentam á sociedade como seres capazes e de plenos direitos a frequentar faculdades, a serem eles próprios e a terem a possibilidade de fazerem um pouco de tudo!

          É urgente combater este tipo de preconceito e de juízos de valor, que mesmo não dando importância, acabam por ficar na nossa mente e por-nos a pensar, se de facto estaremos a ocupar um lugar de quem quer muito fazer, o curso e de trabalhar na farmácia!

#rogeriorosa

#atorrogeriorosa

 

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