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A Gazeta do Repórter

Informar e acompanhar a cultura, desporto e reportagens. Dar voz a quem não a tem e dar destaque a quem merece ser destacado!

OS MEUS NATAIS SEMPRE FORAM AVULSOS, COMO JOSÉ, FORA O MEU PRIMEIRO NOME!

25.12.20 | Rogério Rosa

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Desde que saí do colégio em 1979, que tive só Natais avulso. Natais, que ia passando, quer em casa do meu pai, durante 2 anos, quer em casa dos meus tios, mais ou menos 2 anos também. Cheguei a passar um desses Natais em casa de uns primos de Ramalho Eanes em Alcains. Nunca fui feliz, mas sempre me acomodei ás situações. Viver em colégios, fez com que não sentisse a falta da família, sobretudo, quando as mesmas, nunca gostaram de mim. Os Natais em casa da mãe, que por falta de gosto, de espirito de Natal e de Família, não era Natal. Depois em casa de amigos do colégio para onde ia, aí sim, era o que sempre sonhei. Mas tinha de viver com a família que me coube e esta, infelizmente não se escolhe. Ser deficiente visual, numa família ignorante e na década de 60 e seguintes, não era fácil. Lembro-me em casa dos meus avós maternos, num Natal em se distribuía prendas, a minha irmã mais velha levou e eu não levei nenhuma. Nesse instante, a minha irmã, num ato de solidariedade, acabou por dividir comigo algumas dessas prendas. Em casa dos meus tios, o Natal era de facto Natal. Havia divertimento e prendas para todas, para mim também. O Natal é de alegria, sonhos e de união, mas nunca senti isso desde criança. Desprezado e odiados pelos avós maternos, que 50 anos depois, ainda não há resposta sobre o porquê e certamente, nunca terei resposta. A começar por me chamar José Carlos e mais tarde, obrigarem os meus avós paternos e o Padre Vicente, que me batizara, a anularem-me o nome e a colocarem o nome que hoje tenho, Rogério. Nome do avô materno que nunca gostou de mim. Sei que não é altura de lembrar isso, mas é a altura de afirmar, que se pode ser acomodado com pouco. Que nem sempre o espirito de família pode prevalecer e que se vive bem sem isso. José, que apesar de ser nome da minha mãe e do meu pai e que por consequência e bom senso, deveria ser o meu também. Não tenho memória dos Natais, nem do amor que nos unia e não nos une, mas sim, dos Natais que ia conhecendo um pouco de casa em. casa. Lembro-me de um Natal, que me marcou profundamente, quando me tornei um sem-abrigo. Longe de todos, sem prendas, sem as delicias á mesa e sem gente á mesa. Deitado fiquei, numa pensão já com18 anos de idade, mas antes cheguei a ir á rua, onde o meu pai morava. Estive parado á chuva e fiquei a olhar para a janela, onde podia ver as luzes da árvore de Natal e lembrar-me que, naquela hora, podia estar lá, á mesa e abrir os presentes com as minhas irmãs mais novas, como já acontecera antes. Superei, lutei e consegui sozinho, ser o que sou hoje, mas sempre perseguido pela ingratidão de todos quantos ajudei e apoiei. O Natal é isto, de lembranças e de correções de erros e de mudar. Mudar sozinho, lutar sem ajudas, apoios e da família, sobre a qual não há como nunca houve exemplos de valores, amizade, amor e interesse por saberem como cada um vive, sonha ou faz! Os meus Natais desde que me casei, foram diferentes, numa família que me acolheu, que me adotou e me tornou membro de direito a ser feliz, gostado e de não ser preciso impor a minha presença. Hoje, o que mais gostava que acontecesse, tal como aos amigos, poder escolher a minha família, porque a que me calhou, ninguém merece! Moral da história, devemos de gostar de quem gosta de nós, de dar importância a quem nos dá e de amar quem nos ama.

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Para quem anda distraído, hoje, sou ator de cinema, teatro e televisão, Ex-Presidente da Mesa de Assembleia de Voto autárquico pelo Bloco Esquerda na Freguesia de Campolide-2017. Escuteiro e Bombeiro dos Voluntários de Ajuda, ambos fora do ativo e 28 anos de voluntariado em várias Ipss e Ongs! Estou a criar uma marca chamada RR COPYWRITER, devido a muitas formações em multimédia e jornalismo e um blog chamado A Gazeta do Repórter. Sou a experiência viva, que se pode dar a volta á vida, sem necessitar da família.

Cresceu-me um sonho de muitos e que eu consegui concretizar. Estar em Israel. Fui como Peregrino de Jerusalém. Sei que causei uma crise de inveja familiar, que provoquei na família, quando ficaram a saber e se pensarmos bem, pode crer dizer muito! Nada sucede por acaso! Aqui deixo um pouco de quem sou e do que fiz como ator!